Onde está o casaco vermelho, o batom meio sem jeito e a tatuagem no
braço que me convidaram para uma cerveja que eu não pude beber?
Se tivessem me dito que suco de limão poderia me embriagar talvez
tivesse aceito a cerveja.
Na verdade não, teria pedido vodka com drambuie e ganharia uma
cereja.
Aqueles olhos castanhos flutuavam na minha frente até que as vozes,
o bar, todo o ar sumissem e tudo fosse apenas aquele par de olhos.
Suas risadas e seu sorriso me levaram a beber com Lautrec e fumar com
Magritte.
Aquela noite se tornou alguns anos que nunca vou esquecer.
Quando o presente parece tão tediosamente presente, quando às pessoas
falta sal, pimenta e álcool, fecho meus olhos para procurar pelos seus
e viver aquela feliz embriaguez que o passado me traz.
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